Pontas Soltas (metáfora calculista e suja)

Boa Noite. Três euros e alguns cêntimos fechados na caixa de fósforos comprados na Capital. Fiéis a ensinamentos dourados, queimados por luzes assustadas, rasurados por unhas sedentas de fome e alarmados por questões não menos douradas, os fósforos afogam-se no materialismo comum da ressaca encantadora. Ironia, talvez, um paradoxo com certeza! Encantar não é doutrina fácil nem tão pouco ressalva espectadores mais desatentos. No entanto, engloba o mistério das pontas soltas.
As pontas soltas, reza-se nos picos das ideias, passeiam-se nas estradas esburacadas do anti-capitalismo (não interpretar como se interpreta) onde em segundos destronam colectivos fugazes mas audazes. Cheiram, tentando amarrar propósitos, mastigam, tentando relembrar misturas raciais, olham, construindo campos de batatas plantadas com enxadas prateadas e solenemente varridas por ouro de calos específicos e descontrolados e, num último suspiro assim aclamado, apalpam… tintas da antiguidade rebocadas por humidades faciais. Em último patamar, são eliminadas. Há apertos muito fortes, mesmo para obras com os pigmentos dotados de músculos que enxergam a escuridão de lá de cima, seja onde isso for.
As pontas soltas, reza-se nos túmulos desconhecidos, alimentam-se em casas patenteadas com a esquecida secular ideia, bem visível a todos os olhos, mesmo para aqueles de palas e bengalas. Sentam-se, e com a arrogância de bandeira incomodam o risco do respeito e seriedade que sem a mistela que bebem seria um mosquito a zombar. Cruzam a perna, descruzam. Chamam uma ponta espigada, cozem-na com envergaduras de altares destruídos por pólvora rosa e pedem uma qualquer esmola (nome real) para saciarem um desejo que pouco importa qual é! Descosendo as bainhas das calças que a sociedade acolhedora usa nesse momento, usufruem numa vontade estonteante de todos os serviços, inclusive, o de atirar o tomate à entidade que espreita sem modos e com luxos. De seguida, fartam-se. Três euros não pagam a conta. Mas deixam os alguns cêntimos. Pesam.
As pontas soltas, reza-se na cova escura de Bocage, soltas continuam. É-lhes indiferente a percepção do mundo que se associam agora. Não é esse o objectivo. Amarrar e não ser amarrada, talvez seja um propósito, mas pensar nisso enquanto digerem a má educação não será um acréscimo de trabalho àquele que não fazem? Coitadas, não sejamos duros com elas. Afinal não mataram ninguém. (Paradoxo, talvez, ironia com certeza!) Nem tão pouco se viu sangue. Arrotam pelo caminho, esburacado ainda, enquanto admiram a tonalidade do céu que as acolhe. Sonham um dia voar, como aquele pássaro além, vêm? O quê? Sonham? Bom dia.
De carcaça em carcaça revolta-se o som acústico da banda inicialmente aterrada em lençóis negros. Com o tomate laranja, engloba-se a claridade de construções inóspitas. Num devagar melancólico, criam-se expectativas reais, mas frias, cruéis mas livres de pesares mal entretidos. Num jornal escrevem-se as gordas de ontem, mas com as magras de relevo. Numa transparência assustadora, a mentira, essa, chora num descontrolo descomunal, num descontrolo enraizado por conquistas de armadas navegantes na solidão de um tempo só. Esta é a tua terra. Esta é a formosa carta de ódio que nunca sai de um lábio agudo. Esta é o sangue descrito no poema reluzente e afamado por mitologias e cristais vagabundos que cercam a fome de horizontes e a sede de planaltos. Esta é o teu pântano. Acende o fósforo.
De ruga em ruga martiriza-se a sensação de nova textura. Com a ponta afiada, numa tela sem nome mas roída ao acaso, o acaso acasala. Sua noiva não falta mas no atraso planeado, a ansiedade torna-se rainha. Nas dobras, a sujidade impera e finca-pé com tinta preta como aliada armada até aos cabelos com pistolas de cenouras atreladas. Nas outras dobras, as visíveis, cicatrizes pedantes e aluadas devolvem o misterioso cálculo da batalha aos rebeldes engraxadores. É o básico, são os alicerces do porta-couves intelectual que revista o brilho dos mesmos, intimidando-os, tentando com isso encontrar uma forma extra de encorajamento. O Duelo há muito que está marcado. Agendas e afins são idealizadas já com este propósito. Humanos são assim programados. Até o estrume rega o seu quintal… Este é o teu dedo. Este é a odiosa carta de amor que sempre sai de um lábio agudo. Este é o curativo para as tuas mais que prováveis feridas. Este é o teu Apontar. Apaga o fósforo.
De lema em lema estremece o pudor social. O Rebentamento de gafes espirituosas acalmam os rochedos da imaginação que agora dorme num descanso perfeito no almofadado pano do manifesto formado por inúmeros liames que sorriem conforme um cliché é destronado. Vai-te foder, utópico cancerígeno! Não tens lugar nem na extremidade de um sapo salivante e ousado em relegar crenças mal estruturadas. Quem o diz? Quem as fez! Esta é a tua vida. Esta é a tua morte. Sorri… e usa um isqueiro!

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