A Mentira da Chaviera - Intro

Na geometria negra das palpitações constantes e sedosas de uma conspiração calculada, forma-se o ardor de uma melodia social. Outrora, em tempos não há muito passados, o piano manco e rugoso, selava portas de horror e medo. Destrancava outras que tais mas para percorrer liberdades distantes, que porventura, poderiam açambarcar lagos e poças de destinos prováveis.
É um paradoxo, esta ribeira de detritos, este mar de ideias sedutoras mas que não passam disso mesmo. As construções, assim denominadas por vaidade, em relâmpagos se transportavam, espalhando uma boa nova semelhante à apaziguante caída num abismo. As redes de protecção, furadas, rotas de segurança, riam-se sem controlo e com uma barbaridade tal que a competição com o abismo era rotina presente na pele de quem simplesmente apenas olhava.
As pedras, excelentes condutoras de carácter, prestavam tributo umas às outras, movendo fronteiras irreais de um vale para o outro. As ervas daninhas, alaranjadas, cuspiam mordidas de matemática pura, somando assim as peculiares e estreitas sensações de fome perante adversidades futuras. A névoa, de chinelos calçados e de remela em punho, galgava a sujidade dos pensamentos que ao abismo chegava. Bons, maus, construtivos ou calamidades e afins, todos eles se reuniam e tinham um lugar-comum.
Chaviera era redonda, com músculo no pé esquerdo e rugas no queixo. Chorava a um quarto para as oito e parava a cinco para as nove. No tempo restante, contava uma história, a qual era real e que desprendia a atenção a todos os outros seus cálculos e movimentos.
Real, mas não verdadeira, era assim a lógica Mentira da Chaviera…

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