Milhares de estilhaços depois, o reluzir de sua aura volta a aparecer. Quase que vinda do nada. Estarmos juntos, pesquisa a frontalidade e fortalece a ideia de que a mentira em breve roubará a verticalidade que se apresenta como bandeira do que se é. Para já pouco importa, o interesse está no olhar e no toque, está na vontade de agarrar e suspirar, não para elogiarmos uma ou mais vidas mas antes para enganar a excelência da vivência que assalta constantemente. Consegue-se, iludindo a própria mente por momentos, com rotinas de calos incorporados e com chantagem que explora as pernas esguias de uma personalidade duvidosa. Nesses momentos, as estrelas escurecem o seu brilho, esmorecem escadas de controlo e descontrolam-se as iniciativas que porventura poderiam escrever páginas na história. Dessa forma tornam-se apenas vírgulas e reticências.
De palito ardente e constantemente alheio às nossas vontades futuras, caminhamos na madrugada de um desejo. Planeamos odores e esquizofrenias reluzentes enquanto o céu se transforma em máquina do tempo, onde transportados para um outro mundo seríamos se assim nossas pestanas desejassem. O palito ardente comove-se em poucos segundos enquanto chegamos ao Castelo do Imaginário. Lá, somos recebidos como convidados esperados e tratados como os próprios reis desse castelo. Sentamo-nos em poltronas almofadadas, questionadas pelos séculos que também lá habitam, soltamos palavras de ordem um para o outro e sorrimos às paredes que albergam vidas já vividas.
No nervosismo natural do momento, o que treme são as ideologias e não as realidades que se atravessam rapidamente à nossa frente. O próprio imaginário relança espetos de saudades e é essa a forma dele que faz com que o poço do castelo transborde continuamente. O céu já mal se vê, deduzimos e a terra está queimada. A água esperneia e solta afirmações que furam nosso espanto, enquanto o gelo nem chega a derreter porque nunca chegou a existir. O momento é de quem o apanhar, julga-se.
Avassalador e estonteante para nós, talvez, mas a situação que vivemos não nos é estranha, a diferença é o raio do castelo, coberto com teias de aranha e que consome parte da nossa imaginação e querer. O palito ardente é agora passado e o silêncio torna-se presente. Um silêncio enfeitiçado, que prende as tábuas de uma vontade ilimitada.
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