






A manhã entrelaçava o odor do despertar. Aquela hora era uma rotina de punho cerrado, lembrando a ironia da chuva que caía desamparada nos cabelos da penumbra social.
O risco da saudade alargava-se à medida que absorvia os ponteiros da realidade que viria. O vento cuspia rasgos de liberdade e chorava lágrimas de raízes gordas e nutridas com pó da imaginação das árvores celestes. As pegadas soltas andavam, sozinhas, sem destino, em círculos, delineando o poder da solidão e a razão da pestana solta.
Foi então que os olhos se quebraram, quais vidros quais corações e a gente, aquela que vagueia nessa mesma hora, em nada reparou. Não lhes apeteceu nem tão pouco lhes competia. Pedras e mais pedras, murmúrios e sussurros, socos e pontapés atinavam com o sol que tardava em chegar. Era uma manhã igual a qualquer outra. Nada diferenciava a hora, nem um segundo ou um passo que fosse. Era a palavra da monotonia.
Em jejum aceitavam, sem aparências emprestadas. Em jejum realizavam o nada.

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