O Ressonar do Murmúrio Canibalista. (Pré-Tinta.)

A humanidade prendeu-se em fasquias que não abraçam as asas da liberdade real. Constata-se, em soluços de realidade, que a provisória unha do contentamento se corta automaticamente à medida que o vento dilui terras de corruptos e de vaidade extrema.
Pedras insolúveis e riachos de carnificina redonda fomentam os quadrados que abrangem migalhas de lassidão tosca em cabelos roxos estrelares. As mesmas pedras constroem o caminho que uma ilusão galga a sete mil e duzentos pés mas que nunca encontrará uma meta, pelo menos digna de assim se chamar. O nevoeiro é intenso e as fasquias são como uma cor que não existe.
Milagres e profecias sentam-se frente a frente com a ciência exacta do canibal Murmúrio. Horas, dias e até semanas é o tempo do jogo a que se prestam jogar. Não há truques nem sussurros, não há santos nem carne que escape à possibilidade do mastigar, do conceito particularizado pelo dente de alumínio, observado por navegadores húmidos e presos na bocarra ideológica e utópica da liberdade(real).
Murmurar sem combustível gasta a sincronia do corpo. Dessa forma, as orelhas descambam e os olhos se fecham. A boca sossega e os dedos entrelaçam-se sem tréguas com tactos vindouros. Semanas passaram e o jogo ainda decorre, numa paciência de musgo azul, numa calma de teias verdes. A vitória dorme, deitada no sofá da esquizofrénica ideia e a derrota, essa, já há muito que trepa sonhos e pesadelos. Mas só a liberdade(real!?) ressona...

Sem comentários:

Enviar um comentário