"Ninguém leva a mal...se levas a mal." de José A. Nunes - Feiras Francas - 25 de Fevereiro no Palácio das Artes, Porto

“No longínquo e distante tempo de teu outro sangue riscou-se em tomate açucarado o que formigas hoje carregam enquanto galgam os infortúnios, os mesmos que socialmente nos afogam. Não fosses tu quem não és e não serias quem és, e assim açambarcas peles transfiguradas que te propõem a natureza implícita do que vês. Aceitas e no frio cruel de inóspita casca corcunda crias a doçura de teu ponto final, o mesmo que ditará regra futura e domada aquando da tomada de pele.
Pedirás uma leoa ou uma borboleta, mas deixa-te disso, terás sim, um peixe de cauda ainda por humanizar – mas que respira! - e terás um flamingo de sedução artilhada no bico da maldade que persiste em deixar-se levar… Respira também.
Sabes que tua provável irritação será apenas o que ninguém fomenta, nem mesmo de alicate poderoso e esguio com tinta de embrulho. Sabes que teu provável discurso de Rainha Má será a tempestade com que alguém sonha. O teu flagelo e destruição verbal não causarão danos, não causará limas afiadas ou cortes brilhantes por cabelos finos e roídos.
Já de pele transfigurada, mansa pelo que carregas e de saltos quase altos, levas a mal. Como vingança, destruirás o mundo tal como o conhecemos… mas deixa lá… ninguém leva a mal.”

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