
Tentou, sem limites estabelecidos, rasurar a implacável melancolia que absorvia o seu reino. Por entre lágrimas crepusculares os soldados se escondiam… sem medos, sem destinos, a não ser o inicial, esse, ainda bem definido e presente.
Tentou, absorvido em momentos adúlteros, controlar a tristeza que se sobrepunha nas escadas e patamares rolantes existentes nos casarios de seu reino que ele próprio esboçara, enquanto o ruído de tremores carnais o faziam recuar perante extraordinárias melodias. Nesse confronto, ruído contra melodia, havia imaginação suficiente para sumos de cenoura existirem.
Tentou, de pincel em punho, construir o plano que iria absorver toda essa melancolia, perante o olhar atento e controlado dos seus súbditos, rendidos à inexplicável tentação de simplesmente… tentar.
Tentou, conseguir…
Tentou, em carruagens abandonadas pelos mestres de outra época, pelos deuses em que não acreditam, deslocar-se para ali e para acolá, para a nuvem número treze ou para a arvore número setecentos.
Tentou, por intermédio de mosquitos mercenários, destruir raízes inexplicavelmente fúteis e sem razão de existirem. Mosquitos esses, comprados com promessas perdidas, promessas que anteriormente figuravam como principio maior da cabeça a quem pertencia. Mosquitos esses, moribundos… e cada vez mais.
Tentou, de olhos fechados…
Tentou, de olhos abertos…
Tentou, mascarado de uma qualquer coisa que encontrara na mala castanha escondida na podridão de sua cama que reflectia nos horizontes temporais e espaciais de uma mente habituada a mostrar-se sem pudor, sem receio… Declínio total, subjugado, alienado, perplexo, concentrado (demais) e de calos nos olhos retirou a máscara mesmo antes de conseguir dizer o seu nome, chorou e suas lágrimas apanhou. Guardou-as num saco acastanhado de fio azul com cascas de cenoura para mais tarde lançar a uma gota de um qualquer oceano que gritará, sem sentido algum, implacavelmente.
Tentou, estudar planos macabros que encontrara num alheio desnaturado, sem riscas, sem merdas autónomas. Para quê? Para que se pudesse basear em princípios e valores que não os seus, de forma a aprender, a elucidar-se de como tudo se mexe e se comporta. Talvez assim conseguiria…
Tentou, mas o Sr. Vazio não conseguiu.
O piano morto e desaparecido, com uma só tecla, entrelaçado na escuridão de um pensamento comunga de um escrito verdadeiro que passa qual novela, nos carrosséis das cabeças dos guerreiros, agora melancólicos. A verdade, é verdade, não é fácil de aguentar e isso nota-se ainda antes do nascer da estrela, pois alguns milhares já se despediram do ar que obedece. No escrito está escrito e sem melodia, desta vez.
Batalhas interrompidas, algumas antes de se iniciarem, estão agora rodeadas de abutres com dentaduras roubadas em locais que já não existem. Querem-nas para rir e rir e voltar a rir de entusiasmo carregado de musgo alaranjado que pernoita em estalagens frias, gélidas… Trespassa odores e ideias como a lança que pica a inesgotável vontade do Sr. Vazio, quando posto à prova é. Quando relança o começo, o Sr. Vazio perde como nunca antes tinha acontecido. Coloca mangueiras de rios longínquos ligados a mares oriundos de planetas sociais e socialmente correctos para que um entendimento haja, na pior das hipóteses, para que se possa inserir. Engano profundo e fundo que nem à tona reflecte a imensidão de um plano quase que maquiavélico e paranóico. Teorias de conspiração e relaxamentos hormonais aliados a climas robustos e quentes que soltam gases fundidos com alianças estratégicas num povo já mentalizado, numa casinha com esqueletos de gerações que nada nem ninguém se recorda… Juntando e aglomerando mitos urbanos que passeiam nas províncias catastróficas de furacões em forma de saia e maquilhados a preceito para se vangloriarem de proezas analfabetas, tropeçam voluntariamente em ocasiões fornecidas pelos seus pares, estes mascarados e infiltrados na luz esclarecida de profetas que não utilizam os trabalhos, mas sim palavras e actos que servem somente para eliminar esses mesmos trabalhos. As palavras não são fortes quando sozinhas estão. A palavra sim.
A inocência e a verdade, apregoada desde que os bichos são bichos é a utopia que calçamos quando nascemos, que o diga o Sr. Vazio, Rei dos Reis, Senhor do Castanho e do Acastanhado, que de cenoura em punho e cicatriz como olho não provou, mas bebeu todo esse veneno… Sim, tamanho único.