Tirania do Tempo (o repouso arregaçado)

O som irreflectido da matéria dada provém de uma catástrofe sem par. Sonoriza a sensatez e alivia a pressão beijada num canto encostado e também sem par. Sozinho não significa podridão ou tristeza mas antes um cálculo de pré-aviso e solicitação esguia. Pensemos portanto na tirania colossal. Chamar-se-á tempo?
A garrafa cheia ri-se. Não da garrafa vazia mas sim das letras que se juntam para formarem a quotidiana lengalenga da virtude verbal. Quem não o faz não existe. A mochila rota rompe-se ainda mais, no entanto, ainda assim, carrega, sem queixas ou atritos despropositados, mais e mais. A garrafa vazia lê. Nada mais. Não, nunca se enche. Nunca se preenche. Regalias dela, apenas para ela (contraste absurdo com o guarda-gotas pistoleiro).
Definindo cláusulas e arregaçando independências, costa a costa, o dedo negro aponta para o intervalo entre as garrafas. Ali não se encontra a virtude, ali não se encontra um problema ou solução, nem tão pouco um pouco de pouco. Ali, encontra-se o repouso do tempo.

"Chaviera à Tona" (Surreateca)

A sede é um estado fictício e barato. Assim dita a última mas não menos importante lei de Chaviera.
A água é uma linha contínua nos horizontes onde se encontra mas formada por variações sólidas. Chaviera repete as palavras que gosta, apercebe-se do que significa, reencontra-se e volta ao inicio. É atraente para ela, pertencer e corrigir círculos, muitos fundados por ela, e desabafar gordas gotas de solidez precária. Desabamentos altruístas são questões pessoais que não podem de forma alguma gravar-se na tábua. Dessa forma, a chuva, apaga letras e destrói frases, caindo do chão e dançando incontrolavelmente como forma de maneio às cascas varridas.
E de cascas é a chuva.

Câmara Municipal de Paredes - "Chaviera à tona" Novembro 2010








"CHAVIERA À TONA" CÂMARA MUNICIPAL DE PAREDES 5 - 29 NOVEMBRO 2010


Divulgação "Chavetas de Chaviera" Porto, Outubro 2010


“De formigas em riste, colocou lá a mão sangrenta e estúpida, sabotou a escadaria para a carruagem que a seduziu e entre cenouras azuis, vestido a rigor com o seu pijama voador, calcando os formigueiros aborrecidos por lama imperial, derrotou o piscado de olho com um só piscar. O reino está a salvo. O quantitativo ninguém decidirá a não ser ele próprio. Que susto para os mosquitos moribundos. O redor perdeu.”

Vídeo - "Chavetas de Chaviera" Galeria Geraldes da Silva, Porto outubro 2010


CHAVETAS DE CHAVIERA - GALERIA GERALDES DA SILVA, PORTO - OUTUBRO 2010

Biblioteca Municipal de Lousada - Exposição "A Mentira de Chaviera", Setembro de 2010


Biblioteca Municipal de Lousada - Exposição "A Mentira de Chaviera", Setembro de 2010


Biblioteca Municipal de Lousada - Exposição "A Mentira de Chaviera" Setembro de 2010


“Musculoso Relaxamento Respirado”




“Memória de Chaviera”


“Visão Construtiva"


“(Des)Construindo: Fase Primária”


“Caminhos Pontuais”


“Hora Pousada em Falatório Cruzado”


“Selecção Redonda e Preenchida”


Mirante Equilibrado.

A mirar o longínquo tropeção da facilidade, rejuvenesce a odisseia do equilíbrio, fustigado por balanças, incolores e trapezistas. Outrora, no adeus da liberdade, convocaram olhares terrestres para conjugar o corpete da vaidade, o corpete sujo e alienado de boas memórias. Os mesmos olhares, castigados pela lua andante e boquiaberta, emprestaram-se de sorriso aberto à maquiavélica distracção do incolor. Pinceladas absorvidas pela animosidade contrastaram com os tumultos que a situação provocara. Jaz em mente aberta, esse tal rejuvenescimento mas é mentira quando se auto proclama de sossegado. No sossego, sim, aí sim, qual habitat natural qual quê, obedece às regras estranhas do alcançar alicerces fumados e irrequietos onde a esperança não é mais que o cadáver espinhoso da não verdade, e sistematiza, programa o esplendor da destruição que provocará.
Que lindas rosas e flores amarelas com as joaninhas e as abelhas embelezando, que esplendorosa relva brilhando debaixo do sol que nos aquece, que lindo céu azul que cerra nossas cabeças livres de mal dizeres e artefactos quase vivos, que belo casal que se beija e fazem promessas de amor junto à fonte de água fresca enquanto os passarinhos cor de terra fazem o ninho nas telhas das bonitas casinhas construídas com ardor e suor proveniente do cofre do banco da terrinha. Foda-se!!! O tropeção está agora à mão de semear!!! Até a bota da ironia cobre a distância. Até a melodia do guarda-chuva encobre o sol. As casas desabam enquanto os passarinhos vestem o uniforme, o casal é feito prisioneiro e a água transforma-se em areia roxa, sem equívocos, de peito feito, como se quisesse mostrar que sempre assim foi.
Mira-se agora o tropeção da facilidade como se as pestanas fossem… tão perto está que quase faz parte de um qualquer corpo. Agora sim, equilibra-se o equilíbrio. Quebram-se relógios e balanças, o trapézio é a visualização da não mentira. Jaz em mente aberta, esse tal rejuvenescimento que proclama o desassossego.

Castelos

Milhares de estilhaços depois, o reluzir de sua aura volta a aparecer. Quase que vinda do nada. Estarmos juntos, pesquisa a frontalidade e fortalece a ideia de que a mentira em breve roubará a verticalidade que se apresenta como bandeira do que se é. Para já pouco importa, o interesse está no olhar e no toque, está na vontade de agarrar e suspirar, não para elogiarmos uma ou mais vidas mas antes para enganar a excelência da vivência que assalta constantemente. Consegue-se, iludindo a própria mente por momentos, com rotinas de calos incorporados e com chantagem que explora as pernas esguias de uma personalidade duvidosa. Nesses momentos, as estrelas escurecem o seu brilho, esmorecem escadas de controlo e descontrolam-se as iniciativas que porventura poderiam escrever páginas na história. Dessa forma tornam-se apenas vírgulas e reticências.
De palito ardente e constantemente alheio às nossas vontades futuras, caminhamos na madrugada de um desejo. Planeamos odores e esquizofrenias reluzentes enquanto o céu se transforma em máquina do tempo, onde transportados para um outro mundo seríamos se assim nossas pestanas desejassem. O palito ardente comove-se em poucos segundos enquanto chegamos ao Castelo do Imaginário. Lá, somos recebidos como convidados esperados e tratados como os próprios reis desse castelo. Sentamo-nos em poltronas almofadadas, questionadas pelos séculos que também lá habitam, soltamos palavras de ordem um para o outro e sorrimos às paredes que albergam vidas já vividas.
No nervosismo natural do momento, o que treme são as ideologias e não as realidades que se atravessam rapidamente à nossa frente. O próprio imaginário relança espetos de saudades e é essa a forma dele que faz com que o poço do castelo transborde continuamente. O céu já mal se vê, deduzimos e a terra está queimada. A água esperneia e solta afirmações que furam nosso espanto, enquanto o gelo nem chega a derreter porque nunca chegou a existir. O momento é de quem o apanhar, julga-se.
Avassalador e estonteante para nós, talvez, mas a situação que vivemos não nos é estranha, a diferença é o raio do castelo, coberto com teias de aranha e que consome parte da nossa imaginação e querer. O palito ardente é agora passado e o silêncio torna-se presente. Um silêncio enfeitiçado, que prende as tábuas de uma vontade ilimitada.

Risco

Mudei o nome para Risco. Concentrei a culpa na tua insatisfação. Respirei o lógico da tua existência e sobrevivi na imaginação perdida de duas asas provenientes de uma partida já há muito calculada. Matadouros de felicidades exprimi ao infinito e nada resultou para que também tu mudasses o teu nome.
Insignificante toda a destreza e vontade que impingi a teu favor. Insignificante o som reproduzido na tendência de teu riso que gozo ampliava nos meus olhos. Magia procurava para alcançar a resistência das palavras dirigidas, cobertas de bolor, de chocolate rasurado e de Invernos cavernosos onde os esqueletos de vaidades dançavam com a luz de sobressalto. Era o explendor de música ainda por realizar assente numa pauta ténue e abrupta. Mas nem magia nem a pura da realidade, diz-se que necessária.
O porta recados absorve toda a mentalidade de um coração à venda, que nada obstrui, que nada assusta, nem mesmo o suspiro que se suspira no relaxamento de um esquecer comparado à moeda de troca que tropeça na saca rompida pela unha estrelar que se pinta com pincel de mármore. No recanto, o porta recados destrói, desfaz, faz com que desapareçam as gavetas do idiota e do génio. É num meio, numa época de loucura e solidão, com pergaminhos de fome mental, que surge a malvadez aliada à necessidade de uma dor exacta e pontual, pontuada ao ponto de pontificar maldições condizentes com o azul do inferno branco que dura e dura, sem parar de durar. È duro durar. A estrela da paciência esgotou-se ainda antes da meia-noite. O reflexo pacífico do silêncio que se espera, atrai figuras incontrolavelmente redondas aos olhos da incógnita vivência de uma qualquer construção.
Sem tectos, telhas ou estuque de sobretudos azuis, sem pijamas ou ancinhos, sem meias rasgadas ou portas mal fechadas, o piano destrói a tecla fraca, a mais fraca. A selva da melodia traduz-se no instante em que o desejo atrai mosquitos de gravata em punho, nobres de pseudo-moralismo e peganhentos como cobras ainda por acordar. Sem pés, alcatifas ou tapetes, sem malas ou enfeites, sem tecidos oportunos para cobertas ideais, sem sacos rotos ou canetas amareladas, o piano constrói a tecla forte, a mais forte. A selva da melodia traduz-se, também, no instante em que a pena da escrita voadora entra em cena. E que cena.
A balança está pronta. Desde que o tempo é tempo e o espaço é espaço. Lado a lado. Passo a passo. Seguros pela rede que zela pela igualdade, esses instantes encontram sinal vermelho. Em momentos, para não lhe chamarmos instante, uma vez mais, o sinal transforma-se em verde enquanto se cospe a justiça e, num acaso (!?) de magia, lá está, a hipocrisia sem rede é a tona do desenvolvimento social, é a cena.

Montanhas Perdidas no Imaginário Questionável do Irrisório Transplatado pela Esquizofrenia Estética de Madame Chaviera: Solução de Premonição


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Piano Manco


...


Nascente Estética


Sorriso Caminhante


Respiro Borbulhento


Pressão Equivocada


Prematuro


Não por ali


Castelo da Vaidade


Busca Sofrida


Ajuda-te disse ela


A Mentira de Chaviera - Texto II Final (Rugas para óleo)

Em seu quarto, Chaviera o divide em dois. De um lado, uma cama vazia, sem recordações, despida, que existe por existir. Ao lado da mesma, um armário que se estende a uma outra galáxia, completamente desconhecida para qualquer ser vivo, mesmo para ela, onde num só dia, um metro só percorre. Entre a cama e o armário, uma cómoda azulada, vidrada em melancolia, rasurada pelas unhas longas e espetadas de Chaviera, descansa. Na cómoda pousam óculos, chávenas, livros e tristezas umbilicais. Na verdade, nada sobressai neste lado do quarto, nem mesmo a névoa que assombra o enredo de seus intervenientes materiais mais vistosos.
Do outro lado do quarto, sim, o lado que abrange toda a série de fantasias e questões éticas encontra-se uma outra cama. Esta, plena de ideias, marcas e cicatrizes, ponteiros embriagados e espuma brilhante, é o centro de uma metade. A seu lado, uma varanda, com vista para um horizonte imperfeito e futuro, mas por um canudo de jornal. Aos pés da cama, uma cadeira se encontra, onde Chaviera, após se despir, coloca sua máscara quase que transparente. Carrega máscaras e sorrisos, imperfeições que assim se tornam perfeitas… E em toda esta electrizante conjugação que só a pele pode autenticar, a prova de quem Chaviera é mostra-se sem receio. A porta das metades fecha-se e as paredes continuam brancas.
Num alongamento apressado pelos bens arrumados pacientemente, descobre-se a sensatez e a palidez dos gestos outrora refrescantes. Mal dizer é preponderante para alienações conjuntas, mas um qualquer fósforo admite e prova esse facto. Tendo isto em conta, acender o disco do fogão quieto enquanto se cola pele quente é apenas uma formalidade no protocolo da sedução que nunca se esqueceu. Não existem lembranças que não perdurem em lágrimas repetidas. É o paradoxo da pseudo-imortalidade de Chaviera.
Na sala de jantar um prato de destaca, aquele reluzente, com pintas acastanhadas e sabores perdidos. Está pousado na mesa ao fundo relaxando entre uma maçã e um palavrão. Quebrado pela omnipotência do chá, não se senta alguém à distância de lhe tocar. É perigoso. Mas tentador. É um dos objectivos. Criar tentações. Tem a lição bem estudada, não faltou a uma aula sequer, não se distraiu por um minuto que fosse. Assim, sabe os pormenores com que tem de lidar, sabe os palavrões que tem de recusar e aturar. Só não entende o espaço em seu corpo. Não o define porque não pode, não pode porque não lhe ensinaram tal, não tem ponto A nem ponto B nem um outro qualquer ponto que se possa atravessar. Daí a luz e reflexos perderem-se novamente nas lágrimas de Chaviera.
Percebe-se, pouco a pouco, que o mérito é relativo nesta história e o demérito quase, quase Rei. Para o ser, falta o odor, o aroma infernal do não-conseguido, príncipe comum no historial que alberga Chaviera. Comum e constante, mas nem sempre presente, Um pontapé com o pé esquerdo costuma afastá-lo. A sala de jantar não gosta destes atrevimentos, violência descabida e que co-habita com a paz emprestada pela angelical obra de um qualquer Deus, portanto, como medida extrema e necessária, instalou-se com felicidade estampada, sete ponteiros adormecidos nas janelas e ainda um outro na mesma mesa… ao fundo. Sentinelas atentas mas sem forças. É o suficiente para interligar a varanda do calculismo que funciona continuamente na tentativa de albergar, não uma mentira, mas uma verdade, pelo menos…
Chaviera não conhece os seus cantos. Não vive neles nem por eles. Não os respeita nem desrespeita, existe apenas uma indiferença quase carnal, mas com classe. Entra e sai, com dificuldade. Quando sai, não quer entrar, quando entra quer sair. Expulsa remédios e ajudas de tudo e de todos mas apressa a desculpar-se, a ela própria. Viver com medo causa mal-estar no derrame de suas lágrimas. E isso é bem mais importante que sua vida ou morte. Disso depende toda uma mentira, a única que é capaz de as armadilhar.
Solta os guarda-chuvas na rua, molhados, friorentos e desgarrados de oportunidades solarengas, sacode lençóis de um antigamente e deita-se nua e crua na entrada de uma esquizofrenia saudável. Não sem antes amarrar os cabelos longos que a cobrem, ritual descabido para as aranhas que a observam, mas ritual necessariamente absoluto para a tonalidade de sua imperfeição. Varre as cascas, limpa o nariz com séculos passados, rompe uma qualquer tradição e de rompante, assinala o ponto de partida para a sua aguardada razão de viver. Estão cinco graus negativos e chove como nunca choveu. A positividade relembra a fantasia cerebral do mosquito que atravessou um oceano e jamais se recordou. Não basta passar para afirmar como história. Chaviera sabe disso. É a sua sombra.
A imagem de Chaviera não perdurará nos tempos vindouros. Não poderia ser de outra forma. É algo que acontece naturalmente, sem azo a filosofias que questionam as razões para tal. A imagem de Chaviera, será uma reciclagem natural, sem eufemismos ou ideias vincadas, sem monstros ou pequenos pedaços de céu e nuvens coloridas. A redonda figura será alarmada perante os que observam, a espada à cinta funcionará como um raio-X autorizado pelas mais redondas formas e as rugas no queixo estenderão delicadezas de novas figuras. Para entender o inicio Chaviera sabe melhor que ninguém que é necessário entender primeiro o fim. E não usurpando realidades, torna-se ainda mais realista no delinear de suas conclusões e afins. É a subtileza da mentira. Mas falemos baixo, muito baixo, a redonda forma formam redondas utopias. E para quê mais?
Vinte para as oito. Chaviera alimenta-se. Cenouras azuis, cruas e recheadas, verduras lamacentas, carnes entrosadas com destinos, carroças de melancólicos tremoços regados com a cevada estrelar. Como sobremesa, a azeitona mal vestida, o caroço ondulado na pele de uma animal esfomeado e morto e um toque, um gosto de ansiedade. Seria a cereja do Rei ou a tiara da princesa. Assim como poderia ser o fundo do poço da vila de Chaviera. A preocupação com a sua dieta encontrava-se exactamente aí.
Chaviera era redonda, tinha músculo no pé esquerdo e rugas no queixo. Chaviera regozijava com a extensão de seu paladar. Sabia perfeitamente que pouco lhe sabia. Quando o paradoxo maior chega, a redonda Chaviera sabe que são um quarto para as oito.

A Mentira de Chaviera - Texto I

De gorro em punho, chocolates em defesa e tormentos avassaladores, críticos espaços de melancolias invadiram a imaginação de Chaviera. Na hora do choro, cristalinas seduções irradiavam com alegria, sem pudor, a arte colorida de um cinzento. Ela não se importava com a invasão. Finalizava a sua rotina e tomava o chá, quente, a escaldar, sem se importar minimamente com as escolhas que lhe faziam. Não se sentia incomodada com absolutamente nada e isso, para cúmulo dos cúmulos, até a arredondava ainda mais. Um sorriso matreiro espreitava.
De queixo pousado e cheiro inesquecível enganava os transeuntes de seu instinto. Adengava pormenores que seriam inevitavelmente sujos e rugosos. Calcava uma tentativa, escolhida a pé, torneava salgados em doces, relançava ideias passadas no vindouro de seu leito e quando chegava aquela hora, chorava. Marcava a vermelho, com exactidão de profundezas maltratadas, o momento. Mais vermelho ficava com a mistura alaranjada da sopa que no abismo distribuíam. Mimos aparecem a qualquer hora. Relaxam no seu enorme corpo, como que desenhados pela miopia das castanhas que tendem e insistem a rabiscar qualquer tonalidade que desafie o arco-íris da imortalidade. Não, não era! Aquela de que se padece e não a que se sonha.
Não existe qualquer pressa em deslocar emoções. Estão presas em órgãos que estão sós. Sem trilhos, sem cascas protectoras, sem cálculos de rajadas presunçosas. Não há liames, finalmente… o que existe? A vontade. Apregoada continuamente, na certeza irrisória de uma unha mal formada mas com experiência suficiente para levantar obstáculos… que não existem. Chaviera sabe isso, melhor que ninguém… É dessa forma que o sorriso matreiro se alimenta, do conhecimento oportuno e experimental, que relaxa em suas ondulantes faces de seda que pernoitam na mentalidade automática e pontual. Não há forma de lidar com a semelhança entre pontos que a preenchem, mas há forma de se juntar a esses mesmos pontos questões ansiosas por se desmitificarem.
O queixo rugoso treme, afina-se calmamente. Seduz a melancolia. Preenche páginas em branco. Falta a compromissos ainda mais rugosos. E… sorri, de alma depenada, de espírito quebrado. Soma total: subtracção de rugas. O tempo a afrouxa, calça luvas de respiração, pendura seu esqueleto no cabide da vaidade e espeta calculismo nas lágrimas de Chaviera. O ponto fraco, a hora da vulnerabilidade é um peso que um redondo milagre não suporta por muitas borboletas que carregue. Mortas, ou pelo menos moribundas, porque por cada representação altiva uma pestana cai… no abismo. E nem odores nem vontades, nem luvas nem sopas arredondam cavernas inquebráveis. Talvez o piano manco, mas esse há muito que não cria, que não reluz… esse, é uma fita, é um murmúrio, um segredo, é uma mentira sem lógica e irreal. É uma melodia nua, despida… inexistente, porque não?
Por vezes, Chaviera, escuta o som do odor que ela própria persegue. Inconscientemente ou não, só ela pode escolher o tema da perseguição a realizar nas estupefactas linhas da sedução que apelam a seu famoso choro. Nesse odor, cabelos lisos de rebeldia contrastam com a insegurança de seu olhar, numa batalha crua, causando milhares e milhares de mortos, milhares e milhares de moribundos, desfeitos pela simples hipótese do auge acontecer.
Numa fotografia tipo passe, rasgada e gasta pelas lágrimas casuais de algo ou alguém, perdura a insignificância do mesmo que se mostra. Mas perdura… independentemente do que seja. Basta isso para ser mais do que qualquer outro objecto ou ideia que naturalmente se prontificaram a conjugar-se com a batalha, com Chaviera.