PRÓXIMAS EXPOSIÇÕES:

" O AUDAZ PLANO DA PERNA ESQUERDA "
josé a. nunes
2011

__________________________________________________________

abril2011........... CASA DA CULTURA DA TROFA

maio2011.......... SALÃO NOBRE DA CÂMARA MUNICIPAL DE BARCELOS

junho2011........ SALÃO NOBRE DA ASSEMBLEIA PENAFIDELENSE

julho2011......... AUDITÓRIO MUNICIPAL DE VILA DO CONDE

__________________________________________________________
" A agulha temporal lambe-se de satisfação, calibra o termómetro da tempestade e alterna sacrifícios humanos em nome de um plano ainda sem verso. Constrói paredes de papel e sacos de madeira, ri-se do astuto negro que vigia ao longe e ainda cosa bainhas de sabedoria enquanto lê o jornal. As pegadas esquerdas são as impressões relaxadas de um mosquito com perna. E são ainda, abrigos aos que não acreditam. O telhado que os cobre, trouxeram-no eles, os infiéis do Plano da Perna Esquerda. "

Manhã de olhos quebrados, jejum atinado. Pré-Tinta.

















A manhã entrelaçava o odor do despertar. Aquela hora era uma rotina de punho cerrado, lembrando a ironia da chuva que caía desamparada nos cabelos da penumbra social.
O risco da saudade alargava-se à medida que absorvia os ponteiros da realidade que viria. O vento cuspia rasgos de liberdade e chorava lágrimas de raízes gordas e nutridas com pó da imaginação das árvores celestes. As pegadas soltas andavam, sozinhas, sem destino, em círculos, delineando o poder da solidão e a razão da pestana solta.
Foi então que os olhos se quebraram, quais vidros quais corações e a gente, aquela que vagueia nessa mesma hora, em nada reparou. Não lhes apeteceu nem tão pouco lhes competia. Pedras e mais pedras, murmúrios e sussurros, socos e pontapés atinavam com o sol que tardava em chegar. Era uma manhã igual a qualquer outra. Nada diferenciava a hora, nem um segundo ou um passo que fosse. Era a palavra da monotonia.
Em jejum aceitavam, sem aparências emprestadas. Em jejum realizavam o nada.

O Ressonar do Murmúrio Canibalista. (Pré-Tinta.)

A humanidade prendeu-se em fasquias que não abraçam as asas da liberdade real. Constata-se, em soluços de realidade, que a provisória unha do contentamento se corta automaticamente à medida que o vento dilui terras de corruptos e de vaidade extrema.
Pedras insolúveis e riachos de carnificina redonda fomentam os quadrados que abrangem migalhas de lassidão tosca em cabelos roxos estrelares. As mesmas pedras constroem o caminho que uma ilusão galga a sete mil e duzentos pés mas que nunca encontrará uma meta, pelo menos digna de assim se chamar. O nevoeiro é intenso e as fasquias são como uma cor que não existe.
Milagres e profecias sentam-se frente a frente com a ciência exacta do canibal Murmúrio. Horas, dias e até semanas é o tempo do jogo a que se prestam jogar. Não há truques nem sussurros, não há santos nem carne que escape à possibilidade do mastigar, do conceito particularizado pelo dente de alumínio, observado por navegadores húmidos e presos na bocarra ideológica e utópica da liberdade(real).
Murmurar sem combustível gasta a sincronia do corpo. Dessa forma, as orelhas descambam e os olhos se fecham. A boca sossega e os dedos entrelaçam-se sem tréguas com tactos vindouros. Semanas passaram e o jogo ainda decorre, numa paciência de musgo azul, numa calma de teias verdes. A vitória dorme, deitada no sofá da esquizofrénica ideia e a derrota, essa, já há muito que trepa sonhos e pesadelos. Mas só a liberdade(real!?) ressona...

Deslizamentos: a lágrima guerreira em maquia humana. (Pré-Tinta)

Desfilou entre tábuas sem medo ou receio. Deslizou entre corpos sem guerra ou raiva. Sorriu entre olhares e teias de tecido verde acastanhado. Lembrou-se do que teve e do que tinha agarrando firmemente o que tem. Largou margens de saudade e arrepiou caminhos esqueléticos na maratona diária e constante do confronto pêlo/alegria. Assassinou a tristeza ardente que a consome e bufou o fumo da acção com calma e destreza, que lhe confere assim, a brava alcunha de guerreira. A lágrima surgiu.
Fechou os olhos e bocas, abriu mentes e sorrisos, apadrinhou novos seres e escreveu o seu destino em pedra emprestada. Calçou conjugações estranhas e imperfeitas, cobriu-se de calor e assumiu o vento do norte que ria e ria e ria e ria. Partiu um dedo, calçou uma bota natural e na sintética e cilíndrica passada da morte, viveu. Como nunca ninguém viveu.
Tudo após, após tudo, vida e vida, respiro a respiro, vento a ar e ar a vento, a morte desaparece, no nevoeiro das princesas nebulentas e arrepiadas em que torres se constroem, em que alvoroços ouvem a destreza do truque amaldiçoado que será nada mais nada menos do que o seu futuro com meias de lã e mosquito fardado. De nó engavetado mostra a hora do poste que marca a presença da multidão que rasura as ideias enérgicas do deslizamento vida e vida, ar e ar...
No mesmo desfile, a pista é formada por cadeiras saltantes e pulantes, com números escritos a sangue, sangue este, derramado através dos mesmos escritos peludos e assinados com o dedo cortado. Será o símbolo, será o silêncio de rompante, qual anel de rei qual reinado de príncipe. Sangue que sangra, no futuro delineado da cadeira mancada, dançante e alucinada, que não será mais que a droga verde acastanhada da maquia humana.

Soma Astuta (Digitalização Precoce: Pré-Tinta)








Ombro em ombro, o choque afeiçoa a latitude do poder. O confronto entre mentalidades viaja em primeira mão, de soluços cronometrados, de pernas engavetadas e de horas solúveis em água quente. Arrefecimentos temporais são esquiços fotográficos, que anseiam a visão do crescer para um mar tardio em se mostrar. Na conjugação irreflectida mas rotinada, e ainda em primeira mão, um calor de botas metálicas e cordões de alumínio puro abraça a ironia do podre mental. Agarra-o, sacode-o e ilumina a sarjeta das argolas mais que perfeitas, aquelas que catalogam a sabedoria sem saber. Esta acção é o inicio de uma promessa que cai nos travões do caminhar salgado por entre doces destinos.
A chuva rompe o cinto, o vento abana bandeiras de ódio e indiferença e a terra treme... como só quando treme. Há sempre um segredo, louco e astuto, desgarrado e sombrio, que trepa em imaginações fartas e sumarentas. Lá, situa-se no lugar mais quente porque calor com calor dará calor. É o calor do calor que causa mais calor ainda mas só porque a soma dos calores foi realizada. O protagonista é ele. Mas só quando vem em paz. Sem essa paz é o figurante da rua assassinada. A espera fomenta. Vem.

Pressuposto Posto do Plano (P.P.P.)

O saco de quatro rodas muniu-se de parafusos simétricos enquanto a neve do chão se transferia em várias frentes. Várias cores existiam e várias cores se atormentavam na relíquia do encanto de um movimento rotineiro. Um parafuso se enroscava à medida que a pedra do tormento se calçava. Dois parafusos se enroscavam à medida que um passo era decidido e tomado. Consecutivamente, naturalmente, a construção do império era o alicerce-mor do P.P.E.. Mas não escrito ou anunciado qual boa-nova qual quê, estava sim, destinado, num daqueles conceitos que definem a intervenção moral e típica num pressuposto posto de socorro.
Ainda munido e já com várias frentes cobertas, a irrisória colocação de animais encantados passou despercebida e a manutenção do parágrafo descritivo, continuou, num avassalador faz de conta azul. Torneado pelo aspirar constante das palavras más, o parágrafo rapidamente se alargou, numa ironia quase que perfeita. Sabia-se que o vício e a necessidade de artimanhas e respostas prontas era uma co-existência, peculiar é certo, mas habitável, na toca desfeita da sabedoria.
Um furo. Não existe sobressalente. O saco não pára. Os parafusos enroscam-se igualmente. O Plano marcha e a cenoura aquece. A neve derrete, mas só numa frente. Naquela que não está atrás (momento específico da construção). O cubículo sem verso adensa miseráveis gotas de chuva extensas e de fato, com gravata, às riscas e manchadas de sangue, também este de fato e gravata. Desce do saco munido mas agora, vulnerável, olha e pensa, pensa e olha... Sobe para o saco.

P.P.E. -- PLANO DA PERNA ESQUERDA (vocação inicial)

Setenta e três mil e dois passos depois, eis que a hora do abraço encontra a hora do fim. Lá na ruptura de entre vidas, lá no poço de entre chãos. Luz querida, luz desejada, numa escuridão de pender tormentos, num tormento de abraçar o escuro.
Caminho feito, idealizado antes, vistoriado após, seja o que for, a perna esquerda planeia a perna direita. Esta, melindra as notas soltas da hierarquia patente e em voga na garganta alheia e desconhecida. Não existe fruto mais maduro que um conceito experimentado. Não existe um, sem dois.
O mesmo joelho, as mesmas veias e a mesma pele, a mesma carne, a mesma água e o mesmo sangue. O mesmo plano, o mesmo sabor e o mesmo fim, este arrotado pelo sim. O sim que exagera o sentido da imaginação passada, cravada num outro plano, numa outra época. Mas com o mesmo resultado prático. Dois braços existem.
A agulha temporal lambe-se de satisfação, calibra o termómetro da tempestade e alterna sacrificios humanos em nome de um plano ainda sem verso. Constrói paredes de papel e sacos de madeira, ri-se do astuto negro que vigia ao longe e ainda cose baínhas de sabedoria enquanto lê o jornal...sem verso. Café, para que te quero!?
As pegadas esquerdas são as impressões relaxadas de um mosquito com perna. As mesmas são futuros alicerces. E são ainda, abrigos aos que não acreditam. O telhado que os cobre, trouxeram-nos eles, infiéis do Plano da Perna Esquerda.

Tirania do Tempo (o repouso arregaçado)

O som irreflectido da matéria dada provém de uma catástrofe sem par. Sonoriza a sensatez e alivia a pressão beijada num canto encostado e também sem par. Sozinho não significa podridão ou tristeza mas antes um cálculo de pré-aviso e solicitação esguia. Pensemos portanto na tirania colossal. Chamar-se-á tempo?
A garrafa cheia ri-se. Não da garrafa vazia mas sim das letras que se juntam para formarem a quotidiana lengalenga da virtude verbal. Quem não o faz não existe. A mochila rota rompe-se ainda mais, no entanto, ainda assim, carrega, sem queixas ou atritos despropositados, mais e mais. A garrafa vazia lê. Nada mais. Não, nunca se enche. Nunca se preenche. Regalias dela, apenas para ela (contraste absurdo com o guarda-gotas pistoleiro).
Definindo cláusulas e arregaçando independências, costa a costa, o dedo negro aponta para o intervalo entre as garrafas. Ali não se encontra a virtude, ali não se encontra um problema ou solução, nem tão pouco um pouco de pouco. Ali, encontra-se o repouso do tempo.

"Chaviera à Tona" (Surreateca)

A sede é um estado fictício e barato. Assim dita a última mas não menos importante lei de Chaviera.
A água é uma linha contínua nos horizontes onde se encontra mas formada por variações sólidas. Chaviera repete as palavras que gosta, apercebe-se do que significa, reencontra-se e volta ao inicio. É atraente para ela, pertencer e corrigir círculos, muitos fundados por ela, e desabafar gordas gotas de solidez precária. Desabamentos altruístas são questões pessoais que não podem de forma alguma gravar-se na tábua. Dessa forma, a chuva, apaga letras e destrói frases, caindo do chão e dançando incontrolavelmente como forma de maneio às cascas varridas.
E de cascas é a chuva.

Câmara Municipal de Paredes - "Chaviera à tona" Novembro 2010








"CHAVIERA À TONA" CÂMARA MUNICIPAL DE PAREDES 5 - 29 NOVEMBRO 2010


Divulgação "Chavetas de Chaviera" Porto, Outubro 2010


“De formigas em riste, colocou lá a mão sangrenta e estúpida, sabotou a escadaria para a carruagem que a seduziu e entre cenouras azuis, vestido a rigor com o seu pijama voador, calcando os formigueiros aborrecidos por lama imperial, derrotou o piscado de olho com um só piscar. O reino está a salvo. O quantitativo ninguém decidirá a não ser ele próprio. Que susto para os mosquitos moribundos. O redor perdeu.”

Vídeo - "Chavetas de Chaviera" Galeria Geraldes da Silva, Porto outubro 2010


CHAVETAS DE CHAVIERA - GALERIA GERALDES DA SILVA, PORTO - OUTUBRO 2010

Biblioteca Municipal de Lousada - Exposição "A Mentira de Chaviera", Setembro de 2010


Biblioteca Municipal de Lousada - Exposição "A Mentira de Chaviera", Setembro de 2010


Biblioteca Municipal de Lousada - Exposição "A Mentira de Chaviera" Setembro de 2010


“Musculoso Relaxamento Respirado”




“Memória de Chaviera”


“Visão Construtiva"


“(Des)Construindo: Fase Primária”


“Caminhos Pontuais”


“Hora Pousada em Falatório Cruzado”


“Selecção Redonda e Preenchida”


Mirante Equilibrado.

A mirar o longínquo tropeção da facilidade, rejuvenesce a odisseia do equilíbrio, fustigado por balanças, incolores e trapezistas. Outrora, no adeus da liberdade, convocaram olhares terrestres para conjugar o corpete da vaidade, o corpete sujo e alienado de boas memórias. Os mesmos olhares, castigados pela lua andante e boquiaberta, emprestaram-se de sorriso aberto à maquiavélica distracção do incolor. Pinceladas absorvidas pela animosidade contrastaram com os tumultos que a situação provocara. Jaz em mente aberta, esse tal rejuvenescimento mas é mentira quando se auto proclama de sossegado. No sossego, sim, aí sim, qual habitat natural qual quê, obedece às regras estranhas do alcançar alicerces fumados e irrequietos onde a esperança não é mais que o cadáver espinhoso da não verdade, e sistematiza, programa o esplendor da destruição que provocará.
Que lindas rosas e flores amarelas com as joaninhas e as abelhas embelezando, que esplendorosa relva brilhando debaixo do sol que nos aquece, que lindo céu azul que cerra nossas cabeças livres de mal dizeres e artefactos quase vivos, que belo casal que se beija e fazem promessas de amor junto à fonte de água fresca enquanto os passarinhos cor de terra fazem o ninho nas telhas das bonitas casinhas construídas com ardor e suor proveniente do cofre do banco da terrinha. Foda-se!!! O tropeção está agora à mão de semear!!! Até a bota da ironia cobre a distância. Até a melodia do guarda-chuva encobre o sol. As casas desabam enquanto os passarinhos vestem o uniforme, o casal é feito prisioneiro e a água transforma-se em areia roxa, sem equívocos, de peito feito, como se quisesse mostrar que sempre assim foi.
Mira-se agora o tropeção da facilidade como se as pestanas fossem… tão perto está que quase faz parte de um qualquer corpo. Agora sim, equilibra-se o equilíbrio. Quebram-se relógios e balanças, o trapézio é a visualização da não mentira. Jaz em mente aberta, esse tal rejuvenescimento que proclama o desassossego.