"A Errata de Sarar Magos"

em breve...



"Foge, Errata! Foge!"



Respiro Sustentado de Errata em Fuga.

Igreja da Misericórdia de Penafiel









"A Errata de Sarar Magos" de José A. Nunes na Igreja da Misericórdia de Penafiel.
20 de Agosto a 20 de Setembro

Terças e Quintas das 21h às 23h /


Sáb. das 14h às 18h

Inauguração da exposição "A Errata de Sarar Magos" 20 de Agosto, 21h30m - Igreja da Misericórdia de Penafiel




ERRO FINAL: TRANSCRIÇÃO EXACTA PONTUADA E CURADA DE IMUNDO


Assim começo, com lassidão de arame e flamingo de pata calma, em rima de Bocage e palhaço em gala trajado, a descrever-te o que irás ler um segundo antes da tua já espera morte. Um segundo que será próximo de uma eternidade para quem estarás a olhar fixamente com o intuito de te tornares naquilo que desejavas assim que te vi na jangada de cal proveniente de Martírio, um mundo que nunca conheci. Não guardo ressentimentos por nunca mo dares a conhecer nem tão pouco por nunca o mencionares. Fui teu disfarce e tua orelha, tua máscara e tua cama, fui caminho e fui atalho mas neste momento serei a foice. Ceifarei teu sonho.
Traição lhe poderão chamar, mas na cinza tic tac do organismo da razão aliada à vertente pum pum da molecular invasão, saberás apelidar verdadeira e correctamente o que te faço. Eu sei, tua sombra sem sombra fez com que a minha fomente esta ideia. Num passo destruíste e num outro festejaste com o que destruíste. Pulaste por entre navios conquistados, já com a tua bandeira de pirata dos erros saqueados hasteada e limpaste o nariz à tua ambição, num gesto sublime, só comparável à funcionalidade das tuas inseparáveis armadilhas. Regozijaste com o saque e entupiste réguas de esquizofrenias e livros de pseudo-mártires com o meu chapéu, aquele que me ofereceste, apenas e só para me ofuscar na entrega do “Armadilha do Ano”. Escreveste sentinelas de causas e nuvens de arrufos num só toque suspirado, enquanto barateaste a pele natural que adornava teu esqueleto metálico e já automático. Nunca encontrei um botão. Criaste árvores e ligaste misturas de possíveis enredos funcionais à tua vivência enquanto fumaste a transpiração dos que, hipnoticamente, te veneraram. Açambarcaste o podre da maçã e chamaste-lhe de pêra.
Não me julgues pela aliança a Laím, não recues no teu ideal. Não ignores a solidão de teus frutos nem apunhales a tua já fraca percepção inconsciente. Deixa-te levar como eu me deixei levar. Figurei em tua história e fui protagonista debaixo do teu mar possesso. Na montra da invisibilidade permaneci, sereno, com escrúpulos de matar ódios e com lápis de desenhar paciência. E foi nesta parola e idiota estrela que me deitei a construir, pedra a pedra, caco a caco, o Erro que te ensinaria, apesar da contradição, a viver. O Ano da Morte de Errata, a História do Cerco a Errata ou até mesmo o Ensaio sobre Errata eram capas, não para o teu sonho mas sim para o meu. Cozinhei entrelinhas as manjedouras do odor que causaria repulsa entre mentiras. Na tormenta, sem razão, espalhei a sensação do riso e da carteira em couro artificial. A borracha, instrumento louvável na perseguição inter-planetária, desapareceu, num bolso ainda mais louco que a névoa de carregar ao colo. Adormecido, o mesmo colo, e quente como lava num jarrão de museu, apaziguou teias de pegadas movidas a ideias concebidas a dedos-luz. Conduzi exércitos de óculos escuros e até partidos por entre os atalhos que defini para não te perder de vista, para não me perder de vista. Os guerreiros que o compunham, errantes principiantes, transformaram-se em brincos, os mesmos que te oferecia, os mesmos que usavas nas brilhantes e vistosas armadilhas, que assim eram depois de funcionarem. Rematei para ponto e saiu vírgula. Como poderias tu lidar com o que não conheces quando acima de tudo estava o que querias? Falhei, é certo. A ignição que me propuseste, a teia de propósitos unidos e absorvidos por um só ideal, o teu, resultou, até certo ponto. O tal ponto que saiu vírgula. Hoje, agora, enquanto te admiras e desfaleces, torna-se ponto de exclamação.
Poderoso aliado, Laím. O que me pediu em troca? Nada! Pediria tudo e seria muito mais fácil. Em sua caverna, na intermitente agonia do consciente, propôs-me o que tu, Errata, nunca sequer consideraste, unir-nos. Desviaste preto do quotidiano e mexeste óleo em vez de ar, pernoitaste na impureza e acordaste na sujidade. Lambeste causas de bandeira duvidosa e acariciaste a mesma dúvida enquanto entornavas ouro sobre o teu sonho. Sublinhaste podres e manteiga azul sem nunca te lembrares da cenoura, riscaste-me de tua lida e absorveste a essência do egoísmo. Na tua caça te fixaste e em teu queixo rogaste pragas em virtude semeada só para que o teu nome fosse dito de forma sublime quando espirrado pelo pavio da questão moral e receptiva a outros… a mim. Não doseaste o entusiasmo, nem uma migalha de migalha soltaste em nódoa para que sentisse uma destreza mínima em conforto pessoal e recuaste quando te pedi o cruzamento da pestana caída. Oleaste a esperança, a minha esperança, tal como fizeste à corda ou martelo, à arma ou à água, à pedra ou à caneta…
Irrisória sensação me transmitiu. Um silencioso odor de marfim solitário em carne crua, em carne de mosquito abandonado em cativeiro soturno sem movimento prioritário… um exemplo desconexo. Que obsessão a tua! Falharás deitada em sua cama, coberta com a tirania que tu própria ensinaste a teus inimigos e com a tua mágica armadilha penetrada na automática reacção de um ser que desconheces. O teu sorriso será a tua surpresa e o teu túmulo um santuário à ironia de teu sonho, visível a dois dedos-luz. Eu, Imundo, de alma dada e saído do bolso de malha tresloucada, lá estarei como assim sempre serei, o teu Erro.

Biografia De Errata (A Errata de Sarar Magos) 20Ago - 20Set

Errata nasceu na vila de Azelha, concelho de TintaNegra, no mundo imperfeito e acostumado de Martírio, situado a dois dedos-luz do planeta, seja ele qual for, que nos encontramos. A sua vida é passada em grande parte em cima de uma árvore, juntamente com pássaros que tinham medo de voar, para onde a família se muda em 1923, nessa altura, era uma estranha qualquer coisa de apenas dois anos de idade. Dificuldades em entender o porquê de estar numa árvore impedem-na de se definir como uma outra qualquer coisa, sendo assim, interessa-se pela verticalidade cultural de sua nova casa e estuda-a durante anos a fio. Essa curiosidade, chamemos assim, iria acompanhar Errata até à sua morte.
Formou-se na Escola Superior de Vidros Partidos, situada na Igreja da Misericórdia da Montanha Incógnita, famosa por nunca ter sido descoberta. Este facto valeu a Errata o seu primeiro emprego, Guardadora de Montanhas Que Nunca Ninguém Viu. Fascinada por erros, visitava, quando o Planeta Martírio adormecia no colo das cenouras azuis, as margens dos rios literários, que percorriam esse mesmo planeta. Donos de correntes extremamente fortes, pertenciam-lhes os chinelos de algodão que galgavam o liame cultural existente.
Aos 24 anos encontra o seu primeiro erro, na margem do Rio Azul, no mesmo ano em que é inventado um engenho que permitia o transporte para um outro mundo situado até…dois dedos-luz, fruto da capacidade tecnológica e cultural do mundo em que Errata vivia. Invenção Maquinalmente Artificial Girando Inter-Nação (I.M.A.G.I-Nação), de seu nome e muito popular por terras martirizadas. Depois de encontrar o seu primeiro erro, Errata, encorajada por tal feito, apresenta a seu empregador dados que supostamente davam conta do local exacto da Montanha Incógnita. Errata estava certa e consequentemente, visto que não encontrou erros nesses dados, é demitida de Guardadora de Montanhas Que Nunca Ninguém Viu. Contudo, persiste, e dezoito anos depois, chovendo doutrinas lacrimejantes e insossas, infiltra-se na Estação “Engenho Que Permite Transporte” e embarca na jangada das 26h13m. Quis o destino ou algo semelhante que a jangada de cal pousasse em cima de uma árvore em nosso planeta, seja ele qual for, precisamente às 26h14m. Errata resolve dedicar-se à procura de erros até ao fim de seus dias.
Errata vagueou no infinito engravatado que cobria as terras sujas e gastas. Assimilou o novo mundo, casando-se com Imundo, disfarce engendrado e de solução prática para passar despercebida, algo que no futuro, tal facto, não se acomodaria a sua personalidade. Disfarçada, tentou encontrar erros. Não lhe foi difícil, conseguiu. Os erros pulavam de metro a metro, existiam como grãos de areia num deserto. Mas não eram esses erros os desejados, antes aqueles que faziam pular. Mas a mais valia, o pormenor que a destacava, era o seu modus operandis, a forma como procurava e encontrava os erros. Criou e fomentou sua estratégia, que por sua vez, usou Errata para a moldar à sua imagem, uma estratégia que levantaria um elefante em viagem apenas e só com o conceito da mesma.
28 anos depois, após vários erros congelados e divulgados, Errata não se satisfaz nem satisfaz. O aperfeiçoamento de sua estratégia continua e essa lassidão parecia não ter fim. Num tudo ou nada, num desespero de queimar suor, Errata conjuga toda a aprendizagem, mascara-se e decide procurar um Erro, de letra maiúscula. Corajosa mas hipócrita, eram já muitos anos em nosso mundo, seja ele qual for. Sendo assim, com armadilhas e camuflagem dignas do mais animalesco dotado, encontrou um Erro que permitiu marcar toda uma geração de erratas. O pecado foi seu alimento.
De 1979 a 1990, Errata encontra mais 3 Erros. Os mesmos referiam-se a um pássaro com medo de voar, um papel e a uma negatividade explícita na consciência humana. Anos depois, entre 1994 a 2004, encontra mais 5 Erros, todos eles relacionados com o porquê de não vivermos em árvores durante a nossa existência.
Errata faleceu a 20 de Agosto de 2011, aos 86 anos de idade, em sua casa onde residia com o seu marido Imundo, junto ao rio, vítima de procura crónica. Errata estava doente há algum tempo e o seu estado agravou quando um Mago, dono de um Erro que Errata procurava e desejava, lhe prometeu por vias mágicas, sarar sua doença, se não mais o importunasse. Errata, vertical artificial como já se tornara, rejeitou e como se não bastasse aconselhou o Mago a usar suas intenções e supostas mágicas nele próprio. O Mago reagiu. O que se segue é essa mesma reacção, a Errata de Sarar Magos.

A ERRATA DE SARAR MAGOS. (surrealismo curado) 20AGO - 20SET

Na plenitude da calma, conceito entrelaçado na memória descalça, rege quem vidros de reflexos sinónimos usa. Rege, quem vidros de trapos limpos abusa, e rege, quem vidros de liame vibrante limpa. Liame como corda bamba da insignificância real que tropeça na realização universal da conquista irrisória do natural, burguês comum desta história...(...)


Juízo da Pegada em Jejum

E é com sons de alarmes em rotas passadas, com momentos definidos em azuis descalços, que o Plano inicia o fim do seu sorriso vespertino. Abraçando a régua natural de gastas solas, rompe campos e aldeias abafadas, celeiros de cobaltos e cobaltos de óleo arregaçado para no alto, agora, de seu trono empírico, regozijar a linha mestre, perante súbditos desenhados nos alicerces petrificados e boquiabertos com a falha total de seus sussurros e insolências.
Se no contrato existencial, carregado com pegadas fundamentalistas, carregado com brincos de osso falante e de pérolas de unhas mal cortadas, tivessem as pestanas emprestado, suas bocas, das entidades e figuras usadas e muitas vezes abusadas, não iriam criar o odor do espanto nem tão pouco o buraco negro da surpresa azul. E é no azul, trabalhado na cave da agonia e sabedoria, delineado no pátio cercado por mosquitos engravatados e aplicado no chamariz dos ganhos por falhar, que reside a linha da mestria, onde os chinelos únicos e suaves do Plano se guardam, misturando-se incessantemente com o ar gélido mas melodicamente capaz e sobretudo audaz. Como um espião, um encapuçado de risca ao meio com navalha por espada e com a mágica tarefa de em água se mover, reluz em todos os propósitos que assombraram o Plano. A falha é apenas e só, uma falha, resume-se assim a última linha, rasurada em cinza de moribundo e sublinhada a azul de destino profundo.
Neste momento, os pontos reúnem-se em convulsão, definem o número de guerreiros que ainda caminham, seleccionam uma e só uma das pegadas e…tentam… por uma última vez. A escuridão realça a luminosidade desta tentativa que em hora exacta, com ponteiros de lassidão universal, treme, no juízo lançado, com liames de cintura fina e saltos rotos, com papéis dobrados nas costas dos versos e com suor de etapas iniciais hospedadas em alma que não sente. É o respiro sustentado, é o respiro, que com cobalto de coberto, alcança os falhanços incrustados e sem sabor nos pergaminhos do Plano ou até mesmo nas nódoas da gravata do mosquito pseudo-Deus. O Jardim da Insolência denomina-se agora o Jardim Ajuízado onde tudo e todos, transformados em tapete azul e num jejum abominável de ideias, visualizam não o inicio nem o meio nem tão pouco o fim. Visualizam o que sempre esteve traçado, em roupa interior com ponto final ou com magos de reserva para em memórias rasurarem.