A Mania das Golas
Fechada na imensidão do silêncio e cercada por uma mania que dispensa vida, ela corrige feições e piratas em assalto, liberta odor de heroína e arranjos de trevos em forma de cáusticas e alucinadas pernas de mastigação onírica. Com peça rasgada e meia transformada, ela corrige o futuro e as pestanas desavindas, alcançando assim, a gulosa maldade da desconstrução da camisa azul, a mesma que transporta as golas firmes e coradas pelo paralelo da imaginação. De sorriso qualquer coisa, ela ilumina o atrofio social no corredor da salva de palmas com que a morte a brinda, rogando, desta forma, a prece amarga que destila no esqueleto da mania.
A bandeira frouxa com crista arredondada e solúvel na tristeza incutida em pele sopra, ironicamente, o vento participativo no corpo que só ela sabe usar. E usa tão bem...com escorregadia suavidade e inóspita causa de transpiração, com unha branca em riste e cabelo por ondular, com repúblicas de seres entrosados nos poros e poros sublinhados pela destreza de suas curvas, como o usa tão bem…
A mesma bandeira resguarda-se na sombra do peso das pestanas que dormem enquanto ela, com sua mania enrolada, acorda em simultâneo com o regador do tempero humano que agora marca presença sob o pretexto de filar rugas. Com beijo irreflectido, numa sentença dura e crua, despida e de tulipa falsa em roda, ela prevê a gola da chegada, esta, com partida agendada. É lei, quando se partiu.