Com a participação de José A. Nunes com as seguintes obras:


                                



em exposição:
Biblioteca Municipal de Paços de Ferreira
Dezembro 2013
Somos Irracionais

Somos Irracionais
" No meu tempo de escola primária, algumas crédulas e ingénuas pessoas, a quem dávamos o respeitoso nome de mestres, ensinaram-me que o homem, além de ser um animal racional, era, também, por graça particular de Deus, o único que de tal fortuna se podia gabar. Ora, sendo as primeiras lições aquelas que mais perduram no nosso espírito, ainda que, muitas vezes, ao longo da vida, julguemos tê-las esquecido, vivi durante muitos anos aferrado à crença de que, apesar de umas tantas contrariedades e contradições, esta espécie de que faço parte usava a cabeça como aposento e escritório da razão. Certo era que o pintor Goya, surdo e sábio, me protestava que é no sono dela que se engendram os monstros, mas eu argumentava que, não podendo ser negado o surgimento dessas avantesmas, tal só acontecia quando a razão, pobrezinha, cansada da obrigação de ser razonável, se deixava vencer pela fadiga e mergulhava no esquecimento de si própria. Chegado agora a estes dias, os meus e os do mundo, vejo-me diante de duas probabilidades: ou a razão, no homem, não faz senão dormir e engendrar monstros, ou o homem, sendo indubitavelmente um animal entre os animais, é, também indubitavelmente, o mais irracional de todos eles. Vou-me inclinando cada vez mais para a segunda hipótese, não por ser eu morbidamente propenso a filosofias pessimistas, mas porque o espectáculo do mundo é, em minha fraca opinião, e de todos os pontos de vista, uma demonstração explícita e evidente do que chamo a irracionalidade humana. Vemos o abismo, está aí diante dos olhos, e contudo avançamos para ele como uma multidão de «lemmings» suicidas, com a capital diferença de que, de caminho, nos vamos entretendo a trucidar-nos uns aos outros. "
 José Saramago, in 'Cadernos de Lanzarote (1993)'

bolachas moles de menina em ressaca (garrafão vazio)



Numa forma horizontal questionei a tua relação com a chuva da terra que pisas. Atrofiei a energia que perdura em teus traços e riscos e alucinei na gata que persiste num amor que não paga. E de calote e calote, no maior pavio do conceito, pulo ululos de tráfico rude que ensinado foi pela treva da fechadura regada por bolachas moles como o olhar com que deitas tua sombra.(...)

-- o garrafão que é menino bêbedo -- (jagodiana prosa)



Exarado na analogia social patente, pescoços limados por ossos falantes e a rutilar formas vindouras de lápis preto bezoam palavras de ordem nas linhas gerais da constipação aguda e em delíquio mais ou menos formal.
A esfregona da vaidade tange o serafim da igualdade num enaipar arruinado pelo dedo que roga solicitações anémicas e, provavelmente, sem futura resposta. E é um futuro que os mesmos ossos encontram o descaroável grupo a que se empresta algo definindo desta forma a página mor das linhas. E assim as passo, em sublime passo esquelético e mal tratado: (...)

" O Minaz Escopo da Família Núncio "







Ter. a Sáb. 15h-23h
Sala Dr. Jorge Laranja, Auditório Municipal de Vila do Conde
11 Maio a 1 Junho 2013